quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Crescer...
                                                                                                                                   Duy Huynh
Cada partida é um parto
O mesmo choro,
O mesmo medo
Do ar que se respira
Do cordão umbical que se corta
Do cansaço que se suporta
Cada partida é um voo
Uma escada que se sobe
No primeiro degrau
Ainda te vejo inteira
Ainda somos eu e tu
No segundo,
Já só vejo tronco
Ainda somos nós
No terceiro,
voaste
Definitivamente, és tu.
O Casulo se fechou
O útero se findou
outro ser se afirmou
É tempo
De crescer
Amadurecer
Viver
Voar …
Como dói, Amar-te
Na ausência e na distância.
Juve
"Comemorações do Dia Municipal da Igualdade Politicas Municipais de Igualdade e Não Discriminação na região de Lisboa"


Celebrando-se no dia 24 de Outubro o Dia Municipal para a Igualdade, o Chapitô, no âmbito do projeto "Artes e Igualdade - uma cidadania de futuro!", associa-se a estas celebrações e vai organizar, no dia 30 de Outubro de 2013, pelas 22h00, uma tertúlia onde se procurará dar conta das políticas de alguns municípios da região de Lisboa na promoção da igualdade e combate à discriminação. Será um momento de partilha de experiências diversas, onde procuraremos sublinhar a importância do trabalho de entidades que atuam em proximidade com as populações, como são os Municípios, entre outras.

Presenças de:

Dra. Susana Ramos - Câmara Municipal de Lisboa
Dra. Anabela Soares - Câmara Municipal do Seixal
Dra Filipa Pereira - Câmara Municipal de Cascais

Moderador: Dr. João Pereira

segunda-feira, 21 de outubro de 2013


”Se eu pudesse te dizer aquilo que nunca te direi: Tu poderias entender aquilo que nem eu sei”.
Freud



A Violência Familiar e as Relações de Poder: a diminuição do outro


"Percebe-se que a violência é um fenômeno dependente do contexto, do momento que a pessoa vive, das suas experiências, seus processos psicológicos e de suas características individuais. Concomitante a isso, os atos violentos podem ocorrer, atingir, repetir-se, permanecerem e causarem distúrbios. Os comportamentos violentos se expressam por padrões persistentes de hostilidade e agressividade, pelas quais os direitos básicos do outro ou as normas sociais não são respeitadas.

Direitos de se tornar pessoa e conviver num ambiente saudável e íntegro têm sido negados nos ambientes onde a violência doméstica acontece. Violência (s) que transcende o caráter humano e nos leva a questionamentos sobre a existência da família e sua função sobre a vida daqueles que convivem neste espaço.

Se o seu caráter doméstico implica em oferecer segurança, confiança, relacionamento e afeto, este quadro tem sido substituído por agressões, maus tratos e abusos graves contra a pessoa, diminuindo suas chances e seus direitos de se desenvolver e alcançar a paz.

Toda a complexidade da violência doméstica/familiar que causa a diminuição do outro, é reforçada pelo silêncio inerente aos atos de violência neste espaço por sua configuração e execução. O silêncio que gera também o segredo potencializa as violências nesse microssistema e constrói reféns de si mesmos, pelo medo, culpa e vergonha vivenciados."

      A complexidade da violência não se refere apenas ao campo em que ela acontece. Se domestico, familiar, extra familiar. Se for contra a criança ou adolescente, ou se atinge apenas à mulher. O fato é que se constitui um fenômeno universal e por isso mesmo a urgência em se tratar de forma universal."
Porém, num ambiente onde a violência faz parte da rotina das relações, as pessoas que nelas convivem apreendem esses modelos e passam a atuar desta maneira, ao passo que a vítima assume em alguns momentos as atitudes do ator, bem como as testemunhas também se sentem vítimas por presenciarem a situação de violência.

Isto acontece segundo Freud citado por Souza (1996) “É verdade que o amor consiste em novas edições de antigas características e que ele repete reações infantis. Mas este é o caráter essencial de todo estado amoroso. Não existe estado deste tipo que não produza protótipos infantis.

Violência que se faz presente em todas as categorias de família, e altera significativamente o caráter e a sua função. As crianças se tornam adultos e trazem uma carga inconsciente de traumas, disfunções, medos e hostilidades ligadas aos papéis e figuras parentais e ainda que tentem se libertar, a lembrança do passado os aprisiona e os mantêm reféns. Aprisionados em si mesmos, em suas lembranças pelos sentimentos e modelos infantis que os levam à repetição da dinâmica, dos modelos das relações de violência e principalmente da dor."


Fonte: http://artigos.psicologado.com/atuacao/psicologia-juridica/a-violencia-familiar-e-as-relacoes-de-poder-a-diminuicao-do-outro#ixzz2iLW8dJ3x
Psicologado - Artigos de Psicologia 

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Publicações DGAI 
Ministério da Administração Interna
    Cadernos da Administração Interna
       Coleção Direitos Humanos e Cidadania


Violência doméstica: da participação da ocorrência à investigação criminal


Prefácio

Quando nos reportamos ao tema da violência doméstica falamos de uma 

realidade muito concreta: de homens, mulheres, crianças e idosos cuja 
dignidade enquanto pessoa humana é posta em causa. 
Falamos daqueles com quem nos cruzamos no dia a dia e que merecem e 
exigem, também, uma resposta pública. É este o ponto de partida das 
políticas públicas que visam prevenir e combater um fenómeno complexo e 
de elevados custos para todos, matéria aliás cada vez mais trabalhada nas 
instâncias internacionais, como é o caso da Organização das Nações 
Unidas, da União Europeia e do Conselho da Europa. 
A violência doméstica, enquanto frequente e grave violação dos direitos 
humanos, afeta milhares de pessoas em Portugal, com os consequentes 
efeitos a diversos níveis. Trata-se de um dos crimes contra as pessoas que 
mais frequentemente é participado às forças de segurança, e que exige, 
pela complexidade geralmente inerente, um esforço acrescido em termos da 
sua prevenção, gestão das ocorrências e investigação. 
Não se trata de um fenómeno recente nem transitório, pelo que importa 
assegurar o investimento que tem vindo a ser realizado ao nível da 
qualificação dos recursos humanos, dos espaços de atendimento e dos 
procedimentos em termos de policiamento, buscando um permanente 
aperfeiçoamento da resposta policial. 
Mas este é um crime em que todos, e quando digo todos refiro-me a todos 
os Portugueses, temos a nossa quota de responsabilidade na prevenção e 
combate a este fenómeno. 
Da nossa parte, no plano das políticas públicas, não podemos hesitar em 
lançar mão dos instrumentos que podemos disponibilizar, designadamente 
no que se refere ao apoio às vítimas, bem como no que toca ao 
aperfeiçoamento da atuação das entidades públicas intervenientes nesta 
matéria – particularmente em matéria de prevenção e de atuação em áreas 
como as da segurança. 
A obra que agora se edita constitui uma mais-valia para o conhecimento e 
intervenção sobre o fenómeno, apoiando a GNR e a PSP, bem como outros 
atores que, no terreno, diariamente aplicam os seus esforços nesta área. A 
todos, bem como à autora desta obra, endereço uma palavra de estímulo, 
atenta, em especial, a importância da sua intervenção na promoção da 
segurança das pessoas e no bem-estar da sociedade. 

Miguel Macedo | Ministro da Administração Interna 




APAV LANÇA NOVO SITE E BROCHURA PARA PROMOÇÃO DOS DIREITOS DAS VÍTIMAS


 
A APAV acaba de lançar dois novos produtos, com o objectivo de promover os direitos das vítimas de crime: o site infovitimas.pt e a brochura Infovítimas: conheça os seus direitos enquanto vítima de crime.
Estes dois materiais foram apresentados, esta terça-feira, durante o Seminário Infovítimas, que decorreu na Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa. Além de ter promovido o debate sobre o acesso das vítimas de crime à informação, foram apresentados estes novos materiais que já se encontram disponíveis para consulta.
O novo site infovitimas.pt pretende informar de forma dinâmica e interativa os direitos das vítimas de crime, abordando o funcionamento do sistema judicial. Além da versão base com conteúdos em português, foi também desenvolvida uma versão em língua inglesa:infovictims.com.
A brochura "Infovítimas: conheça os seus direitos enquanto vítima de crime" condensa e complementa a informação constante do website. A APAV irá proceder à disseminação deste material num âmbito nacional.
O desenvolvimento destes materiais, assim como a realização do Seminário Infovítimas – O Direito das Vítimas de Crime à Informação, decorreu das atividades do Projecto Infovictims, promovido pela APAV e co-financiado pelo Programa Justiça Penal da Comissão Europeia.

Site: 
www.infovitimas.pt

Brochura [PDF]

sábado, 5 de outubro de 2013


Comissão sobre o Estatuto da Mulher da ONU alcança progressos mas ainda há muito a fazer

A sessão anual da Comissão sobre o Estatuto da Mulher da ONU, que este ano foca as suas prioridades na eliminação da violência contra as mulheres, acordou num documento final que revela progressos rumo a medidas que garantam maior proteção dos direitos humanos. No entanto, os governos falharam quando não alcançaram consenso sobre medidas importantes de prevenção e eliminação de violência contra mulheres e raparigas, refere a Amnistia Internacional.
Garantir o acesso a serviços de saúde reprodutiva e a métodos contracetivos de emergência, desenvolver e implementar a educação sexual para adolescentes e jovens e criar apoios e proteção para defensores dos direitos das mulheres são algumas das conclusões alcançadas pela Comissão sobre o Estatuto da Mulher da ONU, na sessão deste ano.
“É tranquilizador saber que a Comissão sobre o Estatuto da Mulher reafirma que os estados não devem invocar questões de costumes, tradição ou religião para não cumprirem as suas obrigações na eliminação de violência contra as mulheres”, afirma Nicole Bjerler, do gabinete da Amnistia Internacional junto da ONU. De qualquer forma, acrescenta: “Estamos desiludidos porque questões importantes como a violência por parte do parceiro ou os direitos sexuais e reprodutivos, entre outros, tenham sido removidos do texto”.
Agora, os governos devem cumprir os seus compromissos e implementar de forma efetiva as recomendações da Comissão sobre o Estatuto da Mulher. Estas “são uma ferramenta para os responsáveis em tornar os direitos das mulheres uma realidade e para aqueles que querem responsabilizar os governos pelas suas obrigações em acabar com a violência com base no género”, diz Stephanie Schlitt, especialista da Amnistia Internacional sobre o assunto.
Ao longo dos anos, o trabalho da Comissão sobre o Estatuto da Mulher da ONU tem encontrado resistência por parte de grupos religiosos, como é o caso da Irmandade Muçulmana no Egito. Em contrapartida, encontra apoio em diversas organizações da sociedade civil que, ao questionarem as posições dos respetivos governos sobre o assunto, impedem que discussões sobre acordos já estabelecidos sejam reabertas.